1. A sessão

1.1. DAX




O DAX abriu numa zona de resistência e fez o mínimo da sessão exactamente no seu suporte de curto prazo, o anterior mínimo relativo nos 2.433 pontos. Durante a sessão o BCE desapontou os investidores, por ter cortado apenas 25 pontos base nas suas taxas directoras, para 2,5%.

À tarde o DAX acentuou as suas quedas devido à influência negativa de Wall Street. Acabou por fechar num quase marubozu negro, com volume acima da média.

1.2. S&P 500



O S&P teve uma sessão tecnicamente perfeita. Correspondeu às expectativas de ontem de falsa ruptura de resistência de curto prazo (falso piercing line), e quebrou dois suportes na abertura, os 828,4 e os 827.

Desceu ao suporte dos 819 e surgiram aí novamente compradores, que, em respeito pela Teoria dos Candlesticks e pela vela branca de ontem, apesar de tudo, levaram o S&P ao máximo da sessão anterior. O resto da sessão consistiu numa luta entre bulls e bears junto ao suporte dos 819/820, em que os bulls conseguiram aguentar-se ... por enquanto.

Após o fecho a Intel fez o seu «mid-quarter update», em que actualizou as suas estimativas para as vendas no 1º trimestre de 2003. O anterior intervalo era de receitas entre 6.5 e 7 mil milhões de dólares, agora o intervalo é de 6.6 - 6.8 mil milhões de dólares. O mercado reagiu mal à notícia.

2. Amanhã

2.1. DAX




Resistências:

1) Sendo uma negra comprida, temos de considerar como resistência o midpoint, que está nos 2.484.

2) Os tradicionais 2.519 no cash, que apesar de terem sido devassados várias vezes na sua importância, continuam a ter uma grande relevância.

3) Dos 2.590 aos 2.670 existem uma quantidade de resistências, 4 LT´s sendo 1 ascendente e as outras 3 descendentes.

Suportes:

1) Abrindo em gap down, pode existir alguma procura de day traders a fazer o «gap trade». Porém, se abrir em gap down é provável que quebre na abertura um suporte de curto prazo, o que poderá trazer bastantes vendas no intraday.

No entanto, a esta hora (7:01) na CNBC falam de uma abertura flat no DAX. Não abrindo em gap down, não existe gap logo não existe esta procura de day traders a fazerem o gap trade. Se de facto abrir em gap down, o mínimo de ontem nos 2.433 dos futuros (e do cash), é uma resistência clara.

2) Quebrando os 2.433 em fecho fica sem suportes, a nível de referência tenho apenas o target da ruptura dos 2.519 em fecho, que calculei nos 2.254 - 2.304.

2.2. S&P 500



Hoje temos vários relatórios e declarações que podem influenciar o intraday do S&P e consequentemente de quase todos os mercados mundiais.

Às 13:30 temos o relatório de emprego. Os economistas esperam que a taxa de desemprego suba para os 5.8% em Fevereiro, dos 5,7% em Janeiro. Quanto aos «non farm payrolls», os economistas esperam que tenham sido criados 20.000 empregos na economia no mês de Fevereiro.

À primeira vista parecem-me expectativas optimistas, e que o relatório pode ser pior do que o esperado.

Mas o factor que deverá mexer mais com os mercados (infelizmente, nunca mais acaba isto do mercado mexer ao sabor dos discursos de responsáveis políticos) deverá ser quando Hans Blix fizer mais um relatório na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (é curioso, 59% dos americanos acham que os EUA deveriam abandonar a ONU (sondagem CNBC), e a sua sede é em Nova Iorque). O discurso de Hans Blix começa às 15 horas, espera-se que ele tenha um tom apaziguador e que diga que há sinais que as inspecções estão a funcionar, e que o desarmamento está a prosseguir (a destruição dos mísseis Al-Samoud é um passo importante nesse sentido). Porém, é evidente que a guerra está decidida pelos EUA e RU, independentemente do que diga o Blix ...

Resistências:

1) Vela negra, midpoint nos 826, é resistência.

2) Com o midpoint nos 826, e as resistências de curto prazo na zona 827-830, posso concluir que toda a zona 826-830 constitui uma importante resistência de curto prazo.

3) O máximo do range que tem estado em vigor, os 852,5.

Suportes:

1) Os 819 serviram ontem de suporte intraday, e funcionaram (até pareceu que estavam a «aguentar» o mercado nesse nível, com alguma espécie de intervenção. Mas não sabemos isso. Um fecho abaixo de 819 seria bastante bearish de curto prazo ... neste momento os futuros S&P estão nos 817,6 pontos, abaixo desse suporte.

2) O mínimo de 2003, nos 806 pontos.

3) A zona dos mínimos deste bear market, os 768 - 775 pontos, que constituem o SUPORTE, que caso seja quebrado deverá gerar pânico nos mercados.

2.3. Nasdaq Composite



Resistências:

1) Com esta vela quase em doji, a abertura de ontem é resistência, nos 1.306 pontos.

2) 1.310/1.332 e a zona 1.347-1.353.

Suportes:

1) 1.292 é o anterior mínimo relativo.

2) 1.262 que é o mínimo de 2003.

De qualquer forma o Nasdaq tem exibido firmeza relativa, o que pode ser uma falsa indicação, analisando o VXN percebemos porquê (mais tarde apresentarei o gráfico do indicador e a explicação - a não ser que o Matraquilho o explique novamente, julgo que foi ele, não, foi o Osmar Atona que colocou no Fórum um excelente artigo sobre o assunto).

Antes de fechar esta análise, gostaria de referir que o Nikkei fechou hoje a descer 2,7% para um mínimo dos últimos 20 anos. Para o S&P ir a um mínimo de 20 anos teria de estar em torno dos 100 pontos, mas como escrevi no «2003, segundo César Borja», os excessos cometidos nos EUA não foram tão pronunciados como no Japão, e não se espera um Bear Market tão longo nos states como o que está a acontecer no Japão.

Outra referência a fazer é ao corte de juros de ontem do Banco da Suíça, que baixou as suas taxas directoras dos 0.75% para 0.25% !!! (um Japão na Europa? Pelos menos em termos de política monetária, sim !) O Euro continua naturalmente a sua tendência de longo prazo, está neste momento nos 1.1021 ... o meu target para o final do ano são os 1.2-1.3 dólares por euro.

Mas, isto são questões de longo prazo, esta Mensagem destina-se ao day trading e position de curto prazo, portanto ...

Um bom dia, bons trades !
César Borja