Depois de uma subida de 18% do DAX, 10% do S&P e 12% do Nasdaq Composite desde os mínimos do final da semana passada, muitas interrogações se colocam.

Terá o rally terminado, ou o mercado vai subir até à eclosão da guerra? Ou vai subir até ao final da guerra? Uma coisa parece certa: há boas notícias para sair e o mercado está a descontar isso.

Que a guerra vai começar nas próximas horas toda a gente sabe. O mercado já está a olhar para o futuro, para o final da guerra, que, olhando para a subida, se prevê de curta duração e de rápida vitória para os EUA.

Agora, existe risco de isto não se passar exactamente assim, embora eu pense que esse risco é bastante diminuto.

Uma coisa é certa: não vale a pena shortar antes de sair a boa notícia do final da guerra, em termos de position trading. E valerá a pena alongar aqui? Não sei, julgo que ainda há espaço para continuar a subir, mas o big move está feito.

O cenário avançado pelo James29C faz todo o sentido, vou resumi-lo, na esperança de não estar a adulterar a ideia do James: o mercado sobe até ao início da guerra (não deve demorar mais de 30 horas). Mas não sobe muito mais, a subida no curto prazo deve estar algo esgotada.

Depois tem um pouco de sell the news, para voltar a arrancar na notícia de que a vitória foi alcançada (estimo que isso vá acontecer no máximo nas próximas duas semanas, mas existe uma probabilidade ínfima das coisas correrem mal. Ainda assim penso que em relação à guerra, o maior risco é no upside).

Nesse arranque na boa notícia é que se vai ver quem controla o mercado, se os bulls ou os bears. Julgo que os bears levarão a melhor, mas não sem que antes exista algum rame-rame numa fase de distribuição.

Enquanto os desenvolvimentos geopolíticos acontecem, o position trader, na minha humilde opinião, deve esperar. É o que farei (o que não impede que prossiga na minha tarefa diária de conseguir 20 pontos diários nos futuros do DAX).

Nos próximos dias conto escrever um artigo entitulado: «O pós guerra nos mercados», em que irei delinear a forma como montarei a armadilha aos recém-chegados e pujantes bulls do mercado.

Até lá, estamos em Tempo de espera.

1. A sessão

1.1. DAX



Os futuros do DAX fizeram hoje um novo recorde de volume, nos 247.641 contratos, facto que não deve ser alheio ao fecho de futuros na 6ª feira.

Finalmente o DAX mostrou firmeza relativa, recuperando o terreno perdido face aos seus congéneres europeus, nomeadamente ao CAC, que hoje já corrigiu.

A sessão foi interessante não só pelo volume, mas também pela volatilidade e vontade dos bulls em não deixar a subida descansar. No entanto denoto alguns sinais de fadiga de curto prazo, nomeadamente o facto de já existirem mercados europeus a dar de si ... provavelmente se amanhã existir novo tiro do DAX será a exaustão do movimento no curtíssimo prazo, depois de uma subida de 18% em apenas 4 sessões e de um primeiro embate com as principais resistências.

Mas isso veremos mais à frente, quando analisarmos os pontos de referência do DAX.

1.2. S&P 500



Esta acaba por ser uma sessão mista, apesar da subida, com alguma perca de momentum do S&P, que poderá ou amanhã ou depois ceder à pressão das mais valias.

Ainda assim, denoto nos comentários dos analistas, a maioria não está convencida de que este rally tenha pernas, e continuam a discutir imenso os riscos da guerra ... e isso é bullish.

A decisão do FED às 19:15 acabou por ser um «non-event», o FED deixou inalteradas as taxas directoras nos 1,25%, e praticamente disse que não sabia o que ia acontecer à economia. De qualquer modo parece que abriu um pouco a janela a mais um corte de juros na sua reunião de 6 de Maio (o FED parece determinado a gastar tudo o que tem em termos de taxas de juro - embora a política monetária tenha outros instrumentos mais radicais).

Afinal o S&P não conseguiu atingir a resistência dos 870 (eu fechei longos acima disso durante a manhã, mas os futuros descaíram um pouco antes da abertura - ou seja, a resistência foi atingida pelos futuros, mas não pelo cash).

2. Amanhã

2.1. DAX



O DAX ultrapassou hoje duas resistências de curto prazo: os 2.519 (mínimo de 2002, que cada vez têm menos importância, tantas vezes foram quebrados em baixa e em alta) e a LT1 descendente a verde.

As rupturas são significativas pois foram feitas com volume muito forte. Mas o DAX reagiu na sua LT ascendente a tracejado, que já por uma vez derrubou os bulls.

Vamos aos pontos de referência para amanhã:

Resistências:

1) LT ascendente a tracejado, amanhã nos 2.616.

2) LT descendente a tracejado, nos 2.639.

3) LT descendente a cheio (verde) e MM 50 dias (vermelha), nos 2.670.

Parece pouco provável que o DAX consiga ultrapassar esta zona de tripla resistência nos 2.616 - 2.670 neste movimento bullish. No entanto o fecho de futuros na sexta pode trazer truques dos homens do sistema, é preciso estar alerta para todas as possibilidades.

Suportes:

1) A LT1 a verde passa de resistência a suporte. Amanhã estará nos 2.530.

2) Os 2.519, mas cada vez têm menos relevância.

3) Os mínimos de 2003, em torno dos 2.200 pontos.

Acho que as balizas para os próximos dias estão no seguinte intervalo: 2.519/2.530 - 2.616/2.670. Julgo que no caso de mais valias a zona dos 2.519-2.530 servirá de suporte, e que no caso de mais euforia será muito complicado quebrar em alta os 2.670.

Isto até que a guerra termine, a minha ideia é mais ou menos este trading range ... depois logo se vê a força dos bulls.

2.2. S&P 500



No S&P tenho bastantes dúvidas no curto prazo. Vou dar apenas os níveis de referência.

Resistências:

1) A zona dos 870-878 foi um importante suporte nos meses de Outubro/Novembro/Dezembro e Janeiro. É de esperar alguma resistencia ao avanço dos bulls nesta zona que julgo inultrapassável antes da resolução final do conflito do Iraque.

2) A LT descendente a azul, amanhá nos 917 pontos. É aqui que se deverá travar a grande batalha bull/bear depois da guerra terminar, no caso de vitória rápida e fácil dos EUA (cenário em que acredito).

Suportes:

1) A zona dos 852,5 passa de resistência a suporte de curto prazo e poderá aguentar o S&P no caso de mais valias.

2) Abaixo do suporte dos 840 pontos o caso bull fica um pouco comprometido, julgo que no curto prazo não vale a pena avançar com mais zonas de suporte, mas teríamos a seguir os 819 e depois o valor mínimo de 2003, nos 788 pontos.

2.3. Nasdaq Composite



Resistências:

1) Fecho do gap nos 1.401-1.420.

2) 1.461-1.467, zona de um máximo relativo anterior.

3) 1.521, que foi o máximo de Dezembro de 2002.

Suportes:

1) LT descendente quebrada passa a suporte. Hoje já funcionou quando o mercado descaiu no intraday, amanhã estará nos 1.381 pontos.

2) A zona 1.350-1.353 foi uma importante resistência de curto prazo - agora serve de suporte (este nível deverá suportar o Nasdaq no caso de mais valias antes de terminar a guerra).

3) Gap nos 1.279-1.290 pontos.

Em termos de candlesticks a vela de hoje pode indicar alguma exaustão do movimento de alta, mas tendo fechado no máximo pelo menos no intraday o máximo de hoje poderá ser batido amanhã. Para os candlesticks transacções abaixo da abertura de hoje, nos 1.392, são bearish. Uma abertura em alta também seria bearish. O cenário mais bullish seria uma abertura em baixa ligeira (acima dos 1.392) e depois um fecho acima dos 1.400 pontos. Neste momento os futuros NDX caem 7,5 pontos ...

Em jeito de conclusão desta Mensagem, não deixo conclusão nenhuma: estamos num Tempo de espera !

Boa noite !
César Borja