Gráfico S&P 500:



Todo este rally foi motivado pela guerra com o Iraque. O primeiro tiro até ao ponto 1 foi feito pelas expectativas em relação à resolução rápida do conflito. Depois tivémos uma correcção, mas a vitória rápida da coligação já estava descontada. O segundo tiro até ao ponto 2 aconteceu com a materialização da expectativa, os habituais compradores nas boas notícias num Bear Market voltaram a aparecer ...

Mas, o ponto 2 revela uma fragilidade gritante do mercado. Em primeiro lugar, é bearish quando o impulso dado pelas notícias propriamente ditas não é mais forte que o impulso dado pela mera expectativa. Revela duas coisas: que o capital envolvido é especulativo e de curto prazo, e que a notícia não era realmente importante em termos históricos de mercados.

(nos mercados, a guerra já acabou, ler o headline da CNNfn Wall St. declares victory)

Repare-se também na divergência negativa do S&P com o Price Rate of Change, um indicador de momentum. O preço atingiu os mesmos níveis mas com o momentum bastante mais fraco, o que é bearish.

O problema não é que não haja entusiasmo e optimismo para comprar. O problema é que o dinheiro disponível para comprar, já comprou - e agora só pode vender. De facto, os fundos de investimento nos EUA têm os seus «níveis de liquidez» no ponto mais baixo desde Março de 2000, precisamente o topo do Bull Market. Têm apenas 4,3% de dinheiro nos fundos. Normalmente, nos inícios de grandes subidas, os «cash levels» andam na ordem dos 8 a 12%.

Para aprofundar este assunto, ler o seguinte artigo: This market wants you, que tem endereços muito interessante para análises macroeconómicas que aconselho adicionar aos favoritos.

Por outro lado, temos os indicadores de Sentimento de Mercado, a disparar sinais de abundância de bulls. Amanhã serão divulgados os dados do Investors Intelligence, que provavelmente, pelas condições psicológicas presentes no mercado, demonstrarão uma clara maioria de bulls, a aumentar da semana passada, em que já estava nos 47,8% de bulls contra apenas 33% de bears, isto num Bear Market de longo prazo muito longe de terminar, a avaliar pelas valorizações em termos históricos, entre muitos outros motivos que poderia apontar:



Repare-se no «earnings yield» (lucro por acção a dividir pela cotação) e «dividend yield» (dividendo a dividir pela cotação) no início do anterior Bull Market, em 1982, e agora.

Gráfico: Nasdaq Composite



No Nasdaq a situação é muito semelhante ao S&P 500, com a distinção do Nasdaq estar bastante mais sobreavaliado, apesar de ter tido uma queda superior desde o máximo. De facto, e analisando um pouco o sentimento de mercado do Nasdaq através do seu «medidor do medo» VXN, verifica-se que este mercado está em ponto de colapsar violentamente, pela enorme complacência existente entre os investidores neste momento:



De facto, nos últimos 3 anos sempre que o VXN atingiu esta zona dos 40, o Nasdaq nos seis meses seguintes caiu 61,8% (a partir do Setembro de 2000) e 42,5% nos 6 meses seguintes a Abril de 2002.

É natural que desta vez aconteça algo semelhante, qualquer coisa que leve o Nasdaq Composite aos 800-1.000 pontos, onde se poderá fazer um fundo de médio prazo, pelo menos.

Gráfico: DAX Xetra



Está muito interessante o gráfico do DAX (apesar deste gráfico ser um pouco «falso» em termos de velas, pois a abertura é faseada o que deforma os gráficos).

Tecnicamente, está bullíssimo ! Promessa de H&S invertido, quebra de várias resistências (aliás, está acima de todas as resistências de curto prazo que tenho no gráfico).

É por isso um desafio às Teorias que possamos admitir e utilizar para analisar os mercados. No passado, ao longo deste Bear Market, foram inúmeros, dezenas mesmo, os falsos sinais técnicos do DAX. Aliás, os falsos sinais no DAX são a regra, não a excepção, e a AT simples, simplesmente não funciona, na MHO.

Da forma como interpreto a opinião dominante, através de conhecidos indicadores de sentimento de mercado, e por outras formas de avaliação, chego à conclusão que teremos quedas bastante violentas (com naturais correcções técnicas pelo meio) nos próximos 3 a 6 meses, que levarão o S&P aos 600-650 pontos, o Composite aos 800-1.000 pontos, e o DAX abaixo dos 2.000 pontos.

Bons investimentos !
César Borja